Assunção de Maria

Assunção de Maria

O Canto da Criatura Glorificada: A Solenidade da Assunção de Maria e a Música Litúrgica

No mês de agosto (celebrada no dia 15 de agosto ou transferida para o domingo seguinte no Brasil), a Igreja se eleva em júbilo para celebrar a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Esta festa, cujas raízes remontam ao século V como a “Dormição de Maria” na tradição bizantina, ganhou contornos definitivos para toda a Igreja em 1º de novembro de 1950, quando o Papa Pio XII proclamou o Dogma de que Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.

Para nós, músicos, cantores e salmistas, essa liturgia é um convite a cantar não apenas o privilégio de Maria, mas o nosso próprio destino eterno.

O dia 15 de Agosto, cairá em um Sábado. Dessa forma, a Solenidade é transferida para próximo Domingo, dia 16.

O Céu é a Nossa Meta: Corpo e Alma na Glória

Quando professamos no Credo a “ressurreição da carne”, olhamos para Maria como a grande promessa cumprida. Sendo a Mãe de Jesus e isenta do pecado, ela não conheceu a corrupção da morte. Ela é, como diz o Prefácio da Missa, sinal de consolo e esperança certa para o Povo de Deus ainda peregrino.

O fato de uma criatura humana de carne e osso já estar no Céu confirma que a nossa corporeidade é santa e boa (cf. Gn 1,31). Isso se reflete na música que fazemos: cantamos com o corpo, com a voz, expressando na matéria a beleza do Espírito. O destino de Maria será o nosso destino se permanecermos unidos ao Senhor Jesus na fé e no amor.

“A Assunção nos coloca no horizonte do ‘Já e ainda não’: Maria já chegou à Meta; nós ainda caminhamos, mas com os olhos fixos no Céu, nossa verdadeira Pátria.”

O Magnificat: Mais que uma Reflexão, uma Oração Cantada

A liturgia da Palavra desta solenidade (com textos do Apocalipse e o Evangelho de Lucas) não nos convida apenas a pensar sobre Maria, mas a rezar com ela. O Evangelho nos apresenta a sua grande obra-prima orante: o Magnificat.

O cântico de Maria é o espelho onde todo o Povo de Deus se reconhece. Nele encontramos:

  • O louvor ao amor gratuito de Deus que se estende de geração em geração;
  • A predileção divina pelos simples, pobres e frágeis;
  • A exultação da alma que se reconhece pequena diante da grandeza do Pai.

Como ministros do canto, quando entoamos o Magnificat nesta Solenidade, não estamos apenas cumprindo um rito. Estamos atualizando a profecia de Maria: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada”.

Pé na Terra, Olhos no Céu: Dicas para o Repertório

Cantar a Assunção de Maria exige um repertório que equilibre a majestade da glória celeste com o compromisso histórico e social exigido pelo Magnificat. Olhar para o Céu não nos aliena do mundo; nos impulsiona a cuidar dos irmãos mais fracos hoje.

Aqui estão algumas orientações práticas para a escolha dos cantos:

1. Cantos de Abertura e Entrada

Devem ter um caráter imponente e alegre. Afinal, a Rainha dos Céus está sendo coroada e introduzida na glória.

  • Exemplo: Cantos que destaquem Maria como a “Mulher vestida de sol” (Apocalipse 12) ou hinos tradicionais de louvor à realeza de Maria.

2. O Salmo Responsorial (Salmo 44)

O Salmo 44 (“À vossa direita se encontra a rainha, ornada de ouro de Ofir”) pede uma melodia que seja solene, mas que permita a clara compreensão da letra. O foco é a beleza litúrgica da Rainha que avança ao encontro do Rei.

3. O Momento do Magnificat (Ação de Graças)

Seja após a comunhão ou como um canto de louvor final, o Magnificat precisa ser cantado. Prefira versões que respeitem a integridade bíblica do texto de Lucas 1,46-55. Evite versões excessivamente sentimentais; o Magnificat é um canto de força, justiça e fidelidade histórica de Deus.

Ao prepararmos as vozes e os instrumentos para esta Solenidade, lembremo-nos de que cada nota afinada na terra é um ensaio para o grande coro celeste, onde um dia, junto com Maria, cantaremos os louvores eternos do Senhor.

Santa Maria, elevada ao céu, rogai por nós!

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